Em 20/11/2019 às 12h48

Rio vai na contramão nacional e clubes apostam em treinadores negros no ano

Em 2019, 23 dos 49 times das Séries A, B1 e B2 tiveram pelo menos um técnico negro


Autor: Léo Pinheiro* / Fotos: Créditos no rodapé

O tema é permanente. O debate ainda insuficiente. Os casos recentes de racismo no futebol, nacional e internacional, trouxeram holofotes e discussões sobre a questão racial no esporte. No mês de outubro aconteceu o único confronto entre técnicos negros em nível nacional, a partida entre Fluminense e Bahia, com Marcão e Roger Machado nos bancos de reservas, o que evidenciou a ausência de treinadores no Brasileirão. O futebol do Rio de Janeiro, em 2019, foi na contramão e 47% dos times que disputaram as três principais divisões do estado tiveram pelo menos um técnico negro no ano.

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Em 2019, quatro clubes na Série A (America. Fluminense, Resende e Nova Iguaçu), 11 na Série B1 (America, Angra dos Reis, Barra da Tijuca, Bonsucesso, Campos, Duque de Caxias, Friburguense, Nova Cidade, Olaria, Sampaio Corrêa e Tigres do Brasil) e oito na Série B2 (7 de Abril, Bela Vista, Itaboraí Profute, Mageense. Mesquita, Pérolas Negras, Rio São Paulo e Santa Cruz) tiveram comandantes negros. O destaque fica para a Segundona que teve mais da metade dos clubes indo na contramão da parte hegemônica do futebol brasileiro. Para 2020, a Série A pode ter seis dos 16 treinadores negros - sendo quatro de seis na Seletiva.

A ausência de dados dos demais estados, já que não existe estudos ou pesquisa em outras praças regionais, impede a afirmação de que o Rio é pioneiro ou que é o que mais oportuniza possibilidades de atuação para os treinadores negros. Porém, neste momento, é possível sim apontar que é um fenômeno de relevância e que contraria a corrente que domina o futebol nacional há anos.

O FutRio ouviu alguns personagens que tiveram destaque nesta temporada para analisar o porquê de algumas escolhas e tentar investigar este dado específico que aconteceu no Rio de Janeiro em 2019, com base nos números levantados e que tem indicativos de já existir há alguns últimos anos no estado.

Visibilidade e finanças podem justificar, sugere Observatório da Discriminação Racial

O fato ser considerado um fenômeno que cabe atenção é uma avaliação que foi validada também por Marcelo Carvalho, fundador do Observatório da Discriminação Racial no Futebol - que monitora e divulga os casos de racismo no esporte, além de ter ações informativas e educativas, com o objetivo de erradicar a intolerância na prática esportiva. Os dados são relevantes e dão novos indicativos sobre a questão em um âmbito estadual.

Trazendo para a ótica dos times de menor investimento de uma maneira geral, Marcelo Carvalho vê uma possibilidade maior de crescimento ou manutenção do emprego nos times ditos "pequenos" do que nos de maior investimento em nível nacional.

- É pela "pouca visibilidade" que esses times atraem. É mais fácil desenvolver uma carreira em clube pequeno. A questão racial, neste caso, não afeta tanto. Em um clube grande, acho que o recorte é um pouco diferente. Mas não existe um indicador, não existe algo que diga que não pode técnico negro em clube grande. Mas o que a gente percebe é que que a sua maioria eles começam como auxilar e dificilmente eles conseguem sair daquela posição. Como é o caso do Marcão, como foi o caso do Roger (Machado), que também começou como auxiliar. É muito difícil de sair desse quadro de "auxiliar" nos times grandes. Eles acabam sempre apontando para treinadores de fora, que eles chamam de "mais cascudos" - afirmou o fundador e diretor executivo da entidade, ainda analisando a questão da diferença salarial envolvida neste campo específico.

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- Também tem. Como falei, eles acabam contratando sempre como auxilar, que sempre tem um salário menor. Nos times de menor investimento, o salário é menor, a pressão dos dirigentes é menor (em relação aos grandes) em quem ele está contratando. É um cenário complicado de analisar. Mas eu concordo que tem uma questão racial muito pesada nisso (a diferença salarial entre os profissionais) - disse.

Fora do esporte, uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicada pelo portal G1, no ano passado, apontou a diferença salarial entre negros e brancos. A média ficou de que os negros ganhavam cerca de R$ 1,2 mil a menos em relação aos brancos, tendo a base o 4º trimestre de 2017. Na ocasião, os especialistas ouvidos pelo portal justificaram que as desigualdades históricas são as responsáveis pelas disparidades que o negro enfrenta no mercado de trabalho, fora do esporte. Esta dificuldade, em termos de discriminação no mercado, segundo o Ministério Público do Trabalho, em pesquisa do final de 2017, também atinge a questão ocupacional e de imagem, além da financeira.

O esporte não é um ponto especial que foge dessa questão social, mas a análise em específico cabe um aprofundamento maior, pela diferença de investimento existente entre os clubes nacionais e regionais. Entre os ouvidos pelo FutRio, 100% dos treinadores conectam a situação financeira, por exemplo, em falas sobre capacitação e a qualidade do trabalho feito na carreira.

Rio tem integração racial social diferente de outros estados, propõe treinador

Na tentativa de justificar o porquê dessa questão em especial, a resposta do técnico Ney Barreto - treinador do America, campeão da Taça Santos Dumont e que conquistou o acesso novamente à elite do futebol carioca - chamou a atenção. Ele justifica que a integração social do Rio de Janeiro é diferente dos demais estados.

A fala traz uma visão "romântica" de uma cidade de misturas, apesar da evidente partilha do Rio de Janeiro entre as Zonas (sul e norte). Ele usa o exemplo da praia como local de circulação de diferentes camadas sociais no mesmo espaço, algo que de fato acaba sendo um espaço comum.

- O Rio de Janeiro é uma cidade plural. Onde você tem negros, brancos, todo mundo muito próximo. Essa questão da praia (como exemplo), aproxima muito. É um local onde a sociedade convive com maior facilidade, tanto o negro, quanto o branco. O pobre, como o rico. A praia e o Rio têm essa condição. Isso é muito legal. Então, para você ver, um estado como o Rio ter essa proporção, esse número, essa aceitação maior nesse universo, acho que é muito importante e uma coisa natural do Rio. Assim como a Bahia. Eles têm essa situação de maior mistura - argumentou o treinador.

Em 2019, Marcão faz um caminho rotineiro até o comando do Fluminense

Treinador do Fluminense nesta reta final de ano, Marcão recriou, agora como treinador, os passos que fez quando era atleta e teve um caminho comum nesta caminhada do técnico negro - de assistente para comandante principal numa posição "interina", em determinado momento, até a validação do cargo.

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Ele saiu do Bangu, após ter êxito no Estadual, e foi para o Tricolor (nesta caso, retornou, pois já tinha trabalhado em comissões técnicas anteriores). Como auxiliar técnico do Bangu, o ex-volante foi engrenagem determinante na melhor campanha do clube no Campeonato Carioca dos últimos anos - ficou em terceiro lugar, classificado para Copa do Brasil e Série D do Brasileirão.

Marcão analisou o mercado e ainda vê que muita coisa tem que evoluir. Sobre o tema central: "por que das oportunidades maiores nos times de menor investimento?", o comandante tricolor foi pragmático ao também apontar o orçamento como algo que difere na hora da escolha.

- Acho que é por causa do leque ampliado. Para o time menor, a procura é mais extensa devido ao pouco orçamento. A pesquisa é mais apurada e o network também. O leque é mais aberto. E isso é bom para todos. Tem muita, mas muita gente boa no mercado - disse o treinador do Flu, falando em seguida sobre o mercado em nível nacional.

- Fechado. São poucos os técnicos negros no Brasil e, no mundo em geral, apesar do Rio ser um dos estados brasileiros que mais cede espaço para profissionais negros. Reafirmo que o espaço precisa ser dado ao profissional pela sua capacidade e não pela sua cor de pele. Ainda estamos muito atrás nisso, mas evoluímos, mesmo que minimamente - comentou.

No dia de Flu x Bahia, outro duelo de técnicos negros chamou mais atenção no Rio

Nacionalmente, o confronto entre Fluminense e Bahia, que aconteceu no Maracanã e com vitória do Tricolor por 2 a 0, no dia 12 de outubro chamou atenção pelo duelo entre Marcão e Roger Machado, justamente o que reacendeu o debate sobre técnicos negros no país. No Rio de Janeiro, contudo, não foi o principal jogo neste quesito. A data reservou a final da Série B1 do Campeonato Carioca com os dois times tendo treinadores negros no banco de reservas: Cadão, ícone histórico do Friburguense, e Ney Barreto pelo lado americano.

O Frizão, neste caso, levou a melhor e venceu o jogo por 2 a 1, faturando o título da Segundona. Ambos os times garantiram o acesso à elite do Rio de Janeiro e estão confirmados no cargo nesta parte inicial da preparação e da disputa da competição.

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Ney Barreto, treinador do clube rubro, em entrevista recente ao portal Globo Esporte.com comentou sobre os casos de racismo que sofreu e um título de "folclórico" que recebeu por conta do seu penteado - dreadlocks - ainda visto de maneira controversa em parte da sociedade. O comandante americano concorda com a análise de Marcelo Carvalho, sobre a visibilidade e questão econômica dos clubes. Ele fala sobre capacitação para o surgimento de novas oportunidades.

- A gente está falando de um esporte que se tem uma visibilidade muito grande e onde se movimenta muita grana. E você tem realmente essa questão contrária. Se você colocar os números no sub-20 da B1 e B2 você vai ser um equilíbrio maior entre os treinadores negros. Eu acho, sem dúvidas, que se deve, em relação a visibilidade e também em relação a questão econômica. Acho que isso é onde muitas vezes o negro consegue o espaço para trabalhar, começar a mostrar o seu trabalho; E nem sempre é numa situação totalmente favorável que é dada uma oportunidade de maior expressão, numa B1 ou em uma Série A, em um primeiro momento - disse, completando em sequência.

- Mas assim isso é uma coisa, que pelo menos em quantidade, colocando de maneira geral, vai melhorando. Mas é como foi colocado: se pegar os números da B2, B1 e A, na primeira divisão... A proporção vai aumentando. Ainda tem a questão da visibilidade. Acho que precisamos estar melhores qualificados. Não pode estar em um lugar por ser negro, branco ou amarelo e sim pela sua competência - disse o técnico.

Ney Barreto: "Não é mimimi (...) Pô, será que nenhum é competente para estar no Brasileirão?"

A oportunidade de Ney Barreto surgiu em um momento de dor no clube, após a morte do ídolo e treinador Luisinho Lemos - que sofre um infarto durante o primeiro jogo da equipe no Campeonato Carioca da Segunda Divisão, neste ano. Sem treinador, Renato Carioca, supervisor técnico treinou o time em algumas partidas antes de Ney Barreto de fato assumir e engrenar com a equipe, em uma campanha que teve o título da Taça Santos Dumont, o primeiro turno, e o acesso.

O comandante americano se mostra bastante esclarecido sobre muitos temas e em específico a questão racial. Ele faz questão de destacar que as reclamações não são "mimimi" - expressão que remete a choro ou lamentação de maneira inválida. O treinador indaga sobre a ausência de outros técnicos negros no âmbito nacional.

- Eu quero deixar claro que isso aqui não é mimimi. A gente não quer reserva de cotas. Eu não estou falando nada disso. A gente está constatando um fato. As vezes quando coloca essa questão, alguns dizem que os negros se põem como coitadinhos, como eu vi em algumas matérias em outros veículos, os comentários em reportagens não só minhas, mas como do Marcão e do Roger, que era muito mimimi - disse, completando.

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- Cara, não é isso. As pessoas precisam olhar de uma maneira macro. E também se não tiver ninguém com competência suficiente, não se coloque. Mas por falta de competência. Que fique claro, que as oportunidades tem que ser dadas a todos. Todos os 16 clubes da Série A precisam de técnicos competentes. Seja qual for a cor ou a nacionalidade deles. Já que estamos falando muito em relação ao Jorge Jesus. Se é competente, tem que estar trabalhando - falou, para completar.

- A única estranheza que se causa é quando não se tem nenhum. Pô, será que nenhum é competente? Essa é a estranheza. Quando em uma competição que você tem 20 clubes, você ter dois treinadores negros. Isso é, assim, não vou dizer inadmissível. Mas é complicado. Então quando você vem em uma competição de 16, você ter seis, um pouco mais de um terço, é sensacional. Você está dando visibilidade, mostrando. E poxa, em uma Seletiva de seis clubes, quatro negros. Você tem mais de 50%. Demais! Então está se dando oportunidade. A coisa está começando a evoluir. Então isso é muito importante - encerrou.

Edson Souza: "Invés de ficarem mais cultas, parece que as pessoas ficaram mais ignorantes"

Edson Souza, treinador do Resende, é um dos casos de ex-jogadores que fizeram a passagem do campo para o banco de reservas. Com a bola nos pés conquistou um título Brasileiro pelo Flu, teve passagens pelo futebol internacional e um currículo vasto no cenário de menor investimento do Rio de Janeiro. Ele revela não ter sofrido nenhum caso de racismo no esporte, mas não nega a existência do preconceito racial de uma maneira geral.

- Cara, eu sinceramente, nesse assunto nunca vivi nada. Todo mundo sabe que existe, não dá pra fugir disso. Agora, você pode ficar aí se torturando, colocando isso a todo momento e você acaba criando barreiras na sua cabeça. Que existe, existe. Está cada vez mais evidente aí. Os anos vão se passando, as pessoas invés de ficarem mais cultas, parece que ficaram mais ignorantes. Eu, particularmente, joguei na Suíça, joguei em Portugal, e nunca passei por isso. Não posso falar de situações que não ocorreram comigo. Mas que existe, existe. Isso daí é público e notório - disse o comandante do Resende.

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O treinador do Gigante do Vale tem o nome marcado na história do clube, com a conquista da Copa Rio, em 2014, e também pela classificação à semifinal da Taça Guanabara, neste ano, que foi a ida mais recente do time à uma fase decisiva do Estadual. O comandante celebrou as possibilidades maiores existentes no Rio de Janeiro e argumento que os casos de racismo serão diminuídos com o melhor acesso à educação.

- Que sirva de exemplo para os outros estados. Se os números dizem isso. Parabéns para as pessoas que comandam o futebol do Rio. Mas não somente o futebol. A gente viu que pela primeira vez tem mais negros nas universidades públicas (disse citando pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, divulgada no último dia 13 de novembro). Então, é sinal que as pessoas estão se conscientizando nisso. Espero que com mais rapidez possível. Que eliminem essa situação de uma vez por todas. É claro, a gente também não pode dizer que isso vai sumir. Não vai sumir nunca, é questão de educação. Sempre vai ter pessoas ignorantes. Mas no futebol, que o Rio sirva de exemplo para as outras áreas.

Luiz Paulo exige punições mais severas e drásticas

A Série B2 teve metade dos clubes usando pelo menos um treinador negro no ano. O que mais teve êxito em termos esportivos foi o comandante do Pérolas Negras, clube que vive um cenário diferente no futebol do Rio de Janeiro, já que tem um viés social enraizado na sua formação. O clube foi criado pela ONG Viva Rio que tem como objetivo gerar justamente este impacto social, com academias de futebol no Haiti e no Brasil, gerando uma integração de educação e esporte, além de dar a possibilidade dos atletas, em sua maioria refugiados, darem os primeiros passos no futebol aqui no país.

O clube não conseguiu o objetivo, que era subir de divisão, batendo na trave pela segunda vez no jogo do acesso. Mas os números foram positivos. O técnico Luiz Paulo, nesta questão racial, exigiu maiores punições em relação as sanções já existentes no meio do esporte.

- Infelizmente o racismo acontece. Não vai acabar nunca. Pode diminuir um pouquinho, mas não vai acabar nunca. Enquanto não tiver uma punição severa e drástica, isso não vai melhorar, nem amenizar. Está no mundo todo. Graças a Deus, eu tenho 13 anos como treinador, mais de 14 clubes, nunca vivi nada disso. Um dos clubes, foi em Portugal, na Europa, e fui muito bem recebido em todos eles. Não tive problema com nada - disse, ainda falando sobre a valorização do treinador negro.

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- A questão da valorização é a capacidade. As vezes o cara fica rotulando muito a questão do técnico ser negro ou não. Se tiver oportunidade, tem que agarrar. Na Série B2, tivemos por exemplo o Fernando Santos, o Júlio Marinho e outros de uma nova geração e de uma mais antiga. Infelizmente são poucos. Mas é se qualificar e agarrar as oportunidades - indicou o treinador do Pérolas Negras em 2019. 

Carlos Vitor endossa coro: capacitação e qualificação para conseguir oportunidades

Carlos Vitor, técnico do Nova Iguaçu, repete um cenário já descrito por aqui. Começou na base do time laranja foi subindo até chegar ao profissional. Tal qual outros exemplos no futebol, não só do Rio, mas também nacional, foi chamado em um momento de instabilidade. Com anos de Nova Iguaçu, tinha controle e conhecia os atalhos de todos os caminhos do clube. Evitou um rebaixamento neste ano de 2019 e pelo êxito em campo ganhou uma nova oportunidade, agora iniciando um trabalho para 2020, novamente na Seletiva.

O comandante do time laranja endossa o coro já dito anteriormente pelos demais colegas de profissão. Ele quer maior capacitação dos profissionais para o surgimento de novas e maiores chances no cenário carioca e também brasileiro, mas não sem antes destacar que de fato existem agentes sociais que historicamente contrariam este cenário projetado por ele.

- Cabe a nós negros nos preparamos melhor, buscarmos mais informações, nos qualificarmos mais ainda, porque o mercado de trabalho é pra todos. Acredito que se você for competente, for capaz, buscar preparo, qualquer em atividade profissional acho que você atinge o objetivo. As barreiras foram feitas para serem quebradas. Acho que, evidente, se você falar de outras coisas, que realmente existe um sistema ou alguma que coisa que e que exista uma distância de interesse... enfim, isso dai é uma coisa implantada de anos. Essa é a grande verdade. E passa a ter seus reflexos e muitas das vezes atingem os negros - disse, completando.

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- Hoje, a grande verdade é a seguinte, temos que ser bem coerentes. Temos que quebrar mais barreiras. Temos que quebrar esse sistema. É a realidade. O preconceito existe. Se fosse conceito, ok. Mas preconceito eu encaro de uma maneira muito tardia no pensamento. Totalmente retrógrado. Vamos quebrando barreiras, vamos nos posicionando, nos assentando, mediante ao preparo. Essa é a grande verdade - falou.

Após temporada completa no Duque, Mário Júnior ganha chance na Série A

Não só a capacitação, mas o histórico recente interferem na escolha dos treinadores, como já afirmado. O técnico Mário Júnior, um dos treinadores negros a ganharam uma chance na Primeira Divisão, teve o convite do Macaé muito por conta da campanha feita por ele no Duque de Caxias, semifinalista de turno na Segundona do Campeonato Carioca, além da já analisada questão financeira que atinge de maneira determinante a maioria das equipes - não só as de menor investimento.

Mário Júnior relata que como técnico não sofreu casos de racismo, mas como auxiliar sim. Em uma partida que fez no Rio Grande do Sul por um campeonato nacional. Ele celebra a nova fase na carreira e espera agarrar a chance recebida no Norte-Fluminense.

- Acho que é uma oportunidade maravilhosa estou vindo de dois trabalhos com uma sequencia muito boa. Em 2018 no Tigres, onde fomos à final da Taça Santos Dumont (o primeiro turno da Segundona) e agora no Duque de Caxias, onde perdemos a semifinal, mas com uma campanha muito boa onde ficamos 11 jogos invictos. Vale lembrar que já fui campeão da copa RJ em 2013 quando a competição era muito mais competitiva - disse o treinador, que também falou sobre o cenário nacional.

- Acho que tem poucos treinadores negros ainda no mercado de Série A. Mais recentemente tínhamos Jair Ventura e Cristóvão Borges. Tem o Marcão o Roger Machado, que talvez sejam as referências. Isso com o tempo vai acontecer com mais frequência nas Séries B e A - concluiu, de maneira otimista.

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Confira parte dos dados dos técnicos negros no futebol do Rio em 2019

- Série A: 25% dos clubes tiveram pelo menos um técnico negro no ano (4 dos 16 times)
- Série B1: 58% dos clubes tiveram pelo menos um técnico negro no ano (11 dos 19 times )
- Série B2: 50% dos clubes tiveram pelo menos um técnico negro no ano (8 dos 16 times)

- De maneira geral: 47% de dos clubes do Rio nestas três divisões tiveram pelo menos um técnico negro (23 dos 49 times)
(49 clubes já que America e Goytacaz jogaram as Séries A e B1 no mesmo ano por conta do regulamento)

- Para 2020 na Série A: 37,5% dos clubes serão treinados por um técnico negro (6 dos 16 clubes, caso Marcão siga no Fluminense)

SÉRIE A 2019
Nova Iguaçu: Carlos Vítor
Resende: Edson Souza
America: Luisinho Lemos
Fluminense: Marcão

SÉRIE B1 2019
America: Luisinho Lemos e Ney Barreto
Angra dos Reis: Leandro Silva
Barra da Tijuca: Lira
Bonsucesso: Emanoel Sacramento
Campos: Souza
Duque de Caxias: Mário Júnior
Friburguense: Cadão
Nova Cidade: Luiz Gustavo
Olaria: Israel Ferreira
Sampaio Corrêa: Wescley Pina
Tigres do Brasil: Emanoel Sacramento

SÉRIE B2 2019
7 de Abril: Leandro Silva e Carlos Alberto Santos
Bela Vista: Pinduca
Itaboraí Profute: Paulo Roberto Miúdo
Mageense: Fernando Santos e Júlio Marinho
Mesquita: Índio e Leandro Nascimento
Pérolas Negras: Luiz Paulo
Rio São Paulo: Reinaldo Bartolo
Santa Cruz: Milson Ferreira

SÉRIE A 2020
America: Ney Barreto
Macaé: Mario Junior
Nova iguaçu: Carlos Vítor
Fluminense: Marcão
Friburguense: Cadão
Resende: Edson Souza

*Um dos repórteres negros da equipe do FutRio
**Fotos: Márcio Menezes (America Rio), Thiago Ribeiro (AGIF), João Carlos Gomes (BAC), Igor Cruz, Vitor Costa (FutRio) Jhonathan Jefferson (FutRio), Vitor Melo (NIFC), Divulgação (MEFC)

Tags: Ney Barreto; Luiz Paulo; Edson Souza; Carlos Vítor; Mário Júnior;

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