Em 12/10/2018 às 10 h54

São Cristóvão chega aos 120 anos em momento mais difícil de sua história

Fundado em 1898, clube se vê envolto em dívidas e rebaixado para a Quartona


Autor: Redação FutRio / Fotos: Sport Illustrado e Vitor Costa (FutRio)

Estão se completando 120 anos do dia em que catorze rapazes da Zona Portuária fundaram o Grupo de Regatas Cajuense, começando uma história que iria muito além do remo e do bairro do Caju. A agremiação de símbolo rosa foi o embrião do atual São Cristóvão de Futebol e Regatas, um dos clubes mais populares do Rio de Janeiro e que exerceu papel importante no futebol carioca ao longo das décadas. Nesta sexta-feira (12), o simpático São Cri-Cri festeja 120 anos, mas envolto em um momento bastante difícil, talvez o mais complicado de sua longa história.

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No futebol, o São Cristóvão só começou em 1909, fundindo-se em 1942 com o clube de regatas, que também adotou o nome do bairro imperial no começo do século. Os títulos como a primeira e a segunda divisão do Campeonato Carioca, o Torneio Municipal e mini-competições entre equipes de menor investimento dão o tom da tradição e relevância do time cadere, mas o atual cenário coloca em dúvidas as razões que o torcedor cristovense tem de comemorar uma data tão importante.

Dias antes de fazer mais um aniversário, o São Cristóvão encerrou de maneira melancólica sua participação na terceira divisão do Estadual, sem brigar pelo acesso e nem conquistar grande campanha. Mas a coisa piorou após o fim da fase principal da Série B2, com o clube perdendo seis pontos pela escalação irregular de um jogador e indo para a zona de rebaixamento. Caso não consiga reverter o caso na Justiça, o time cadete vai jogar em 2019 a Quartona, pela primeira vez em sua gloriosa história.

O cenário cristovense atual é de tristeza e não poderia ser diferente. Além dos maus resultados em campo e ausência da primeira divisão desde 1993, a escassez de recursos preocupa a diretoria e coloca um ponto de interrogação no futuro. A pouca esperança talvez ainda resida na história que ficou e que pode ser vista em todos os cantos quando se vai à Figueira de Melo. Taças, relíquias, fotos, o próprio estádio, que já recebeu tantos grandes jogos e viu dezenas de craques do passado. Chegar aos 120 anos ainda ativo pode ser considerado uma glória para o São Cristóvão, talvez a única da qual o clube ainda possa se orgulhar.

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Um pouco de história

O São Cristóvão nem sempre foi do futebol. Inicialmente do remo, o clube surgiu na tarde de 12 de outubro de 1898, uma quarta-feira. Era o Grupo de Regatas Cajuense, que três anos depois se tornaria o Club de Regatas São Christóvão. O futebol começou em 5 de julho de 1909, com a fundação do São Christóvão Athletic Club. Em 1913, o time passou a atuar no Campeonato Carioca da primeira divisão. A década de 20 marcou a subida do time cadete, que ganhou este apelido por ficar localizado em um bairro cercado de quartéis do Exército, como é o caso até os dias atuais.

Inicialmente situado na Rua Bela, o São Cristóvão passou ainda pela Rua Fonseca Teles e pelo Campo de São Cristóvão (então Praça Marechal Deodoro) antes de chegar à Rua Figueira de Melo. Lá, desenvolveu um futebol destacado e que viveu seu auge em 1926, quando foi campeão carioca com uma campanha irrepreensível. A conquista é considerada a mais importante do clube em todos os tempos.

O São Cri-Cri passou a ceder jogadores à Seleção Brasileira e teve representantes nas Copas do Mundo em 1930 e 1938, sendo dono de bons resultados em Campeonatos Cariocas. O time foi vice-campeão em 1934 e estava liderando o campeonato de 1937, que foi interrompido com a dissolução da Federação Metropolitana de Desportos, dando origem à Liga de Futebol do Rio de Janeiro, atual FFERJ. Até os dias atuais, o São Cristóvão busca o reconhecimento do título de 81 anos atrás.

Até o fim da primeira metade do Século XX, o time da Zona Norte colheu a maior parte das suas glórias, tendo três jogadores como artilheiros de Cariocas (Braz de Oliveira, 1919), Vicente (1926 e 1928) e João Pinto (1943). Nos anos posteriores, o clube viveu dias positivos com vitórias marcantes em excursões, como a de 1954, na Europa e no Mediterrâneo. Mas, em competições domésticas, os feitos já não eram os mesmos e o time passou a frequentar, a partir dos anos 80, as divisões inferiores do Rio de Janeiro.

A última participação do São Cristóvão na primeira divisão foi em 1995. Foram 72 vezes na elite, com várias temporadas na Segundona. O clube chegou a cair à Terceirona duas vezes, a última em 2017, mas o time também levantou suas taças fora da Série A, ganhando a Segundona de 1965 e sendo vice em 1982. Entre jogadores, destacam-se nomes como João Cantuária, Nesi, Zé Luiz, Vicente, Theóphilo, Bahianinho, Leônidas da Silva, Roberto, Affonsinho, Augusto, João Pinto, Santo Cristo, Humberto Tozzi, Jair, Calazans, Ivo Sodré, Didinho, Ronaldo, Catanha e Rodrigo Souto.

Tags: São Cristóvão

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