Em 24/03/2018 às 13 h38

Super Copa Noroeste: times de camisa, jogadores de nome e torcidas fanáticas

Mesmo com poucos times profissionais, região se empolga com torneio amador


Autor: Gabriel Andrezo / Fotos: Cazé Zaniboni, Ramon Barroso e Reprodução (Facebook)

Um campeonato que tivesse clubes como Cardoso Moreira, Floresta, Aperibeense e Italva poderia ser, há cerca de uma década, a segunda divisão do Campeonato Carioca. Em 2018, porém, a realidade é bem diferente. Desvinculadas da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ), as equipes do Noroeste do Estado do Rio se juntaram para realizar um torneio regional, amador, mas de aparente sucesso. A Super Copa Noroeste, que está em sua segunda edição, une cidades vizinhas com uma fórmula empolgante: times tradicionais, jogadores conhecidos e estádios quase sempre cheios.

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A Super Copa movimenta o futebol do Noroeste, região atualmente com poucos clubes no nível profissional. Em 2017, só Paduano e Itaperuna representaram a área e, ainda assim, passaram por grandes apertos financeiros na quarta e última divisão do Estadual, embora tivessem brigado pelas primeiras posições. Longe das problemáticas burocracias da Quartona, os times da Copa jogam em seus próprios estádios. Além disso, ninguém precisa viajar mais que 120 km para visitar um adversário em dia de jogo.

Além do quarteto mais tradicional, também participam outros 12 times: Macuco, Laje do Muriaé, Cordeiro, Liga de Itaocara, Bibarrense (Duas Barras), Retiro (Itaperuna), Monte Carmelo (Carmo), Boa Sorte (Cantagalo), União São Vicente (São Fidélis), Paraíso (Cambuci) e Atlético Noroeste (Miracema), com o União, de São José do Calçado (ES), como convidado. São quatro grupos de quatro times, com os dois melhores indo ao mata-mata. Se o Campeonato Carioca sofre com públicos pequenos, os ingressos da Super Copa variam entre R$ 2 e R$ 5, sem contar as gratuidades. Garantia de estádio sempre cheio.

Em relação aos jogadores, muitos têm rodado por clubes profissionais. No Macuco, está Donavan, que jogou o último Carioca pelo Macaé. No Cordeiro, o arqueiro Gláucio, campeão da Terceirona de 2012 pelo Paduano. O Boa Sorte conta com Bruno Reis, antigo meia do Quissamã, enquanto o ex-Sampaio Corrêa Jessé joga no Laje do Muriaé. O Paraíso tem Gilsandro, ex-Campos. No Retiro, está Mumu, goleiro do Itaperuna. Pelo União São Vicente, atua Maycon Aperibé. O meia Romerito, destaque recente do Paduano, joga no Aperibeense. No Cardoso Moreira, estão o lateral Jairo (ex-Campos) e o atacante Gutierre (ex-Goytacaz).

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Não se pode reclamar do nível do campeonato. E o público parece entender isso. Há duas semanas, a empolgada torcida do Macuco encarou a RJ-492 e foi às centenas ao Victorino Barros, em Duas Barras, para ver a vitória sobre o Bibarrense por 2 a 0, dois gols do habilidoso atacante Emerson. No mesmo dia, em Cambuci, os fãs do Floresta não arredaram pé do José de Souza Carvalho nem debaixo de temporal. Acabaram premiados em ver a, até o momento, única vitória do time no campeonato, em cima do Atlético Noroeste.

Futebol é programa número um

A empolgação pelo torneio não chega a ser nova. O sucesso da primeira edição, no ano passado, movimentou algumas pequenas cidades, como a pacata Carmo, de 17 mil habitantes. A final entre Monte Carmelo e Floresta levou quase mil pessoas ao pequeno Estádio Alípio Coelho. Quem foi, viu o título invicto dos donos da casa, que ganhou por 2 a 1. A equipe campeã tinha o veterano Donizete, ex-Vasco e Botafogo, que não jogou. Do outro lado, o camisa 10 dos florestinos era ninguém menos que Léo Rocha, craque do America.

Nas redes sociais, o trabalho de divulgação é intenso. Há votações semanais entre árbitros e técnicos para eleger o craque da rodada e até uma escolha, por parte da organização, da torcida mais animada. Shows e eventos musicais "casados" com os jogos mantêm plenamente ativos estádios como o José Jorge, do Cordeiro, ou o Ferreirão, do Cardoso Moreira. A cara é de campeonato profissional, mas os próprios clubes é que organizam o torneio através de uma liga, a Associação Esportiva do Noroeste (AEN). Já é justo voltar a dizer que, em cidades como Macuco e Italva, o principal programa do fim de semana é ver futebol no estádio.

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Além de atrair um público novo, a competição funciona também para os torcedores mais apaixonados pelos clubes de suas cidades, servindo como oportunidade para "matar a saudade" de algumas equipes que vinham sem atividades. O final da década passada marcou o afastamento de vários times do futebol profissional. Primeiro, o Italva, em 2007. No ano seguinte, o Floresta. Em seguida, o Aperibeense e depois o Cardoso. Até equipes amadoras puderam regressar: o Monte Carmelo não jogava torneios adultos há mais de dez anos.

Isto sem falar nas equipes quase centenárias, esquecidas ou mesmo desconhecidas do grande público. O Cordeiro, de 1921, disputou o Campeonato Fluminense na década de 40. Em 1923, surgiu o Bibarrense, outro às portas de completar um século. O Retiro foi fundado em 1932, mas viveu seu momento mais importante 30 anos depois, quando o técnico Milton Freitas (que hoje dá nome ao estádio da equipe) convenceu o craque Garrincha a ir até Itaperuna e jogar três amistosos pelo time, meses após a conquista do bicampeonato mundial da Seleção Brasileira no Chile, na qual tinha sido protagonista.

Neste fim de semana, a rodada da Super Copa será decisiva e deve definir os primeiros classificados às quartas de final. Entre os jogos, o dérbi Aperibeense x Cardoso Moreira (no Estádio Brandão Filho, em Aperibé), duelo que já valeu vaga na primeira divisão do Estadual do Rio. As partidas serão no domingo (25) à tarde. Em meio ao caos de organização no futebol profissional, um oásis de paixão no profundo interior do Estado mostra que ainda é possível ver campeonatos chamativos em terras fluminenses.

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