Em 31/12/2017 às 09 h02

Estádios: quem são as pessoas que batizam os campos do Rio de Janeiro

FutRio.net faz levantamento sobre origem de nomes, às vezes, esquecidos


Autor: Gabriel Andrezo / Fotos: Gabriel Andrezo, Vitor Costa e Divulgação

Conhecer os nomes dos estádios que se espalham pelo Rio de Janeiro é obrigação para qualquer fã de futebol. Falar em Aniceto Moscoso, Alziro de Almeida, Elcyr Rezende ou Eduardo Guinle já traz, automaticamente, a lembrança de algum jogo ou campeonato. Mas e quando se pára para pensar em quem são estas pessoas que batizam os campos ao redor do Rio? Neste caso, a resposta não é tão simples. Para muitos, chega a ser até um mistério. Pois o FutRio.net realizou uma pesquisa para desvendar quem são (ou foram) as pessoas que são muito mais conhecidas, hoje em dia, como "nomes de estádios".

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É claro que a extensa pesquisa vai muito além de estádios famosos e com homenageados também conhecidos, como é o caso do Maracanã, que tem o nome de Mário Filho, jornalista que fundou o Jornal dos Sports e era irmão de Nélson Rodrigues. Ou ainda de Vasco da Gama (que é o nome oficial de São Januário), o navegador português que descobriu o caminho marítimo para a Índia no Século XV e que também dá nome ao clube que joga na Colina. Esta busca traz pequenas biografias, nem sempre muito detalhadas, sobre as pessoas que são atualmente alvo de homenagens em campos do Rio.

Confira abaixo os detalhes sobre alguns personagens que dão nomes oficiais aos estádios de futebol do Rio:

America: Giulite Coutinho
Foi um dos mais importantes dirigentes do futebol carioca. Presidente do America, comandou também a então Federação Carioca (FCF), que mais tarde tornaria-se Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ) e ainda a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Viveu entre 1922 e 2009, recebendo portanto a homenagem ainda em vida, uma vez que o estádio de Edson Passos foi inaugurado em 2000.

Angra dos Reis: Jair Toscano de Britto
O Almirante Jair Carneiro Toscano de Britto foi prefeito de Angra dos Reis em dois mandatos, entre os anos 70 e 80, nomeado pelo governo militar. Nome influente na cidade, também batiza uma das avenidas mais importantes do Balneário, bairro litorâneo da cidade da Costa Verde.

Artsul: Nivaldo Pereira
É o presidente e fundador do Artsul Futebol Clube. Inicialmente, montou uma empresa de manilhas em Nova Iguaçu, que deu mais tarde origem à equipe.

Audax Rio: Arthur Sendas
Foi um grande empresário do setor varejista e fundador das Casas Sendas, que mais tarde tornariam-se uma das maiores redes de supermercados do Rio. De origem portuguesa e vascaíno fanático, se envolveu fortemente com a política do clube de São Januário e foi um dos entusiastas do projeto de fundação do Sendas Esporte Clube, hoje Audax Rio. Viveu entre 1935 e 2008.

Bangu: Guilherme da Silveira (Moça Bonita)
Manuel Guilherme da Silveira Filho foi presidente da Fábrica Bangu, empresa têxtil que deu origem ao Bangu Atlético Clube. Inicialmente médico, chegou à Fábrica para trabalhar nesta função mas, de família abastada, salvou a empresa da falência e, como forma de gratidão, recebeu do diretor da empresa a maior parte de suas ações. Foi também presidente do Banco do Brasil e Ministro da Fazenda. Viveu entre 1882 e 1974.

Boavista: Elcyr Rezende de Mendonça
Figura influente em Bacaxá, bairro de Saquarema em que fica localizado o estádio, foi vereador da cidade durante os anos 70 e 80 e dono de uma farmácia local. Apesar do campo existir na região desde 1955, a homenagem só aconteceu 39 anos depois.

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Bonsucesso: Leônidas da Silva
Um dos mais brilhantes jogadores de futebol de seu tempo. O "Diamante Negro" foi revelado pelo São Cristóvão, mas só no Bonsucesso é que pôde ganhar notoriedade. Jogou ainda por Flamengo, Botafogo e Vasco, além de ter disputado uma Copa do Mundo com a Seleção Brasileira, em 1938, na qual foi artilheiro. Após se aposentar, foi ainda comentarista de rádio e televisão por muitos anos. Viveu entre 1913 e 2004.

Botafogo: General Severiano
Oficialmente, o primeiro estádio do Botafogo (casa da equipe entre 1913 e 1977, mas que ainda serve como campo de treinos) não recebeu nenhum nome em especial. Na época de sua fundação, os campos ainda eram conhecidos pelos nomes das ruas em que ficavam situados. A Rua General Severiano, em Botafogo, homenageia João Severiano da Fonseca, General do Exército, médico, professor e diplomata. Combateu na Guerra do Paraguai, no Século XIX, e era irmão do Marechal Deodoro da Fonseca, o homem que proclamou a República. Viveu entre 1836 e 1897.

Cabofriense: Alair Corrêa
O mais conhecido dos políticos de Cabo Frio foi vereador e, mais tarde, prefeito da cidade e deputado estadual. Também foi um dos maiores entusiastas da Associação Atlética Cabofriense, que fez sucesso nos anos 80 e que acabou reativada em 1997, dando origem ao clube atual, a Associação Desportiva Cabofriense.

Campo Grande: Ítalo del Cima
De origem italiana, foi um comerciante do bairro de Campo Grande, que doou o terreno para que o clube alvinegro construísse seu estádio, que só ficaria totalmente pronto em 1960. Viveu entre 1885 e 1944.

Campos: Ângelo de Carvalho
Um dos fundadores do Campos Atlético Associação, em 1912, também foi seu presidente e acabou mais tarde homenageado ao dar seu nome ao estádio, no bairro da Coroa.

Casimiro de Abreu: Ubirajara de Almeida Reis
Desportista local, foi fundador do Casimiro de Abreu Esporte Clube, em 1975.

Ceres: João Francisco dos Santos
Foi um dos fundadores do Ceres Futebol Clube.

Duque de Caxias: Romário de Souza Faria
De todos os jogadores de futebol, certamente um dos mais conhecidos. Com passagens por Vasco, Flamengo, Fluminense e America, o Baixinho disputou duas Copas do Mundo pela Seleção Brasileira, sendo campeão em uma. Passou a "batizar" o estádio de Xerém, mas sequer apareceu na sua inauguração, em 2007.

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Flamengo: José Bastos Padilha (Gávea)
O estádio do Fla, embora não seja mais usado desde 2002 para jogos oficiais, recebe o nome de um dos mais importantes presidentes do Flamengo, que ficou no cargo entre 1933 e 1937. Publicitário, cunhou a frase "Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer", que depois virou trecho do hino do clube. Ainda construiu a sede da Gávea, aumentou o número de sócios do clube e contratou Leônidas da Silva a peso de ouro, durante os anos 30. Viveu entre 1896 e 1973.

Fluminense: Manoel Schwartz (Laranjeiras)
Mais um estádio que não recebe jogos oficiais há anos e que só foi ser oficialmente batizado no Século XXI. A homenagem é a um presidente do Fluminense, que comandou o clube entre 1984 e 1986. Foi com ele como mandatário que o Tricolor conquistou o título brasileiro de 1984, além de dois títulos cariocas. Viveu entre 1921 e 2003.

Friburguense: Eduardo Guinle
Empresário e aristocrata, era filho homônimo do patriarca da tradicional família Guinle, uma das mais ricas do Brasil entre os Séculos XIX e XX. Sua mansão, na Zona Sul do Rio, foi comprada pela União e é hoje o Palácio Guanabara, residência oficial do Governador do Estado. Em Friburgo, cidade que escolheu para passar as férias, construiu também o chalé do Parque São Clemente, que existe até os dias atuais. O filho de Eduardo, César Guinle, foi prefeito de Friburgo na década de 80. Viveu entre 1878 e 1941.

Gonçalense: Cantídio de Oliveira Thomaz
Embora ainda não tenha recebido jogos oficiais, o Catarinão já serve a jogos das categorias de base. Seu nome é uma homenagem ao pai de Joacir Thomaz, fundador e presidente do Gonçalense.

Heliópolis: José Alvarenga
Foi presidente e um dos fundadores do Heliópolis Futebol Clube, em 1950, que seria rebatizado cinco anos depois como Heliópolis Atlético Clube.

Goytacaz: Ary de Oliveira e Souza
O Aryzão recebe este nome em homenagem a um dos presidentes mais importantes da história do clube e que era o mandatário na época da construção do estádio, em 1938. Ary era tio-avô de Tonico Pereira, ator e mais famoso torcedor do Goyta.

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Itaboraí: Alziro de Almeida
Professor conhecido na cidade de Itaboraí e que foi homenageado ainda nos anos 70 com seu nome no principal estádio local.

Itaperuna: Jair Siqueira Bittencourt
Natural de Cantagalo, foi advogado, professor, prefeito de Itaperuna e fundador do Porto Alegre, clube que daria origem ao atual Itaperuna Esporte Clube. Na cidade, abriu o Colégio Bittencourt, o mais importante do Noroeste Fluminense na ocasião. Doou ainda o terreno para a construção do estádio, em 1963. Era o pai do atual deputado estadual Jair Bittencourt. Viveu entre 1901 e 1990.

Macaé: Cláudio Moacyr de Azevedo
Para muitos, um dos mais importantes políticos macaenses. Era advogado e entrou na política nos anos 60, defendendo presos e cassados políticos pela ditadura militar. Eleito prefeito de Macaé, cargo que ocupou entre 1967 e 1970, foi também deputado estadual nas duas décadas seguintes. Seu nome também batiza o palácio da Câmara de Vereadores da cidade. Morreu em 1995.

Madureira: Aniceto Moscoso
O campo tricolor é um tributo a um antigo presidente do Madureira, que trabalhou no futebol do clube por décadas e foi um dos responsáveis pela construção do estádio, em 1941. Na época, a praça esportiva era a maior do subúrbio.

Mesquita: Nielsen Louzada
O mais importante presidente do Mesquita. Capixaba de nascimento, foi deputado estadual pelo Rio de Janeiro durante os anos 70 e 80 e dono de empresas de ônibus. Era o pai de Cléber Louzada, atual presidente do Tubarão. Viveu entre 1930 e 2003.

Miguel Couto: Joel Pereira
Presidente do clube nos anos 80, período mais vitorioso do Miguelão e altura em que o Tricolor passou a disputar campeonatos profissionais no Rio de Janeiro. Chegou até a ser treinador da equipe na reta final da Segundona de 1988.

Nova Cidade: Joaquim de Almeida Flores
Foi vereador de Nilópolis nos anos 40 e 50, época da construção do estádio. Dá nome ainda a uma rua e a uma escola na cidade. Morreu em 1960.

Nova Iguaçu: Jânio Moraes
Presidente e fundador do Nova Iguaçu, foi também o mentor da construção do complexo esportivo que deu origem ao estádio do clube, nos anos 90.

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Olaria: Mourão Filho (Rua Bariri)
Embora seja mais conhecido pelo nome da rua em que se situa, o campo do Olaria homenageia Antônio Mourão Vieira Filho, deputado federal, ministro da Fazenda, médico e benfeitor do Olaria Atlético Clube. Ele era morador da região da Leopoldina e recebeu a homenagem após sua morte. Viveu entre 1909 e 1972.

Paduano: Waldo Carneiro Xavier
Um dos poucos estádios do Rio a homenagear atletas em vez de dirigentes, o principal estádio de Santo Antônio de Pádua presta tributo a um antigo jogador do Paduano, um dos mais destacados da época amadora do clube, na primeira metade do Século XX.

Queimados: Júlio Kengen
Foi um dos fundadores do Queimados Futebol Clube, em 1922, além de operário têxtil na região da Baixada. Foi ainda jogador do clube, assim como outros membros de sua família. Dá nome também a ruas em Queimados e Nova Iguaçu.

Sampaio Corrêa: Lourival Gomes de Almeida
É um comerciante de Saquarema, além de deputado estadual e patrono do Sampaio Corrêa Futebol Esporte, clube fundado em 2006 e dono do estádio.

São Cristóvão: Ronaldo Nazário (Figueira de Melo)
Outro dos estádios que nunca tinham sido batizados oficialmente e eram conhecidos pela rua em que ficam. A Figueirinha passou a dar nome a um dos mais brilhantes jogadores da História, que começou sua carreira no São Cristóvão. Ronaldo esteve em quatro Copas do Mundo, ganhou duas e é o segundo maior artilheiro da história do torneio. A decisão de dar ao estádio o nome do fenômeno foi tomada em 2014.

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Serrano: Atílio Marotti
Foi presidente do Serrano Foot-Ball Club nos anos 30 e 40, além de presidente da Liga Petropolitana de Futebol.

Teresópolis: Antônio Savatonne
Foi presidente do Teresópolis Futebol Clube.

Tomazinho: Josias José da Silva
Foi dirigente do Tomazinho Futebol Clube.

Volta Redonda: Raulino de Oliveira
O General Sylvio Raulino de Oliveira foi presidente da Companhia Siderúrgia Nacional (CSN), a principal indústria de Volta Redonda. Foi ele que doou o terreno do estádio, que fica ao lado da Companhia, aberto em 1950 e renovado em 1976 e 2004.

Tags: Estádios, Campeonato Carioca

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