Em 20/11/2017 às 11 h15

Para recordar: as 28 histórias mais inusitadas da Série C do Carioca 2017

Curiosidades, bizarrices e momentos inusitados marcaram a Quartona do Estadual


Autor: Gabriel Andrezo / Fotos: Gabriel Andrezo, Igor Dorilêo e Vitor Costa (FutRio)

Depois de 101 jogos, 292 gols, 41 WOs e muitas confusões, terminou neste domingo (19) a Série C do Campeonato Carioca, a edição 2017 da quarta divisão do futebol do Rio de Janeiro. Formada pela primeira vez em quase duas décadas e voltada a equipes que vinham de longa ausência, a Quartona viu a consagração e o acesso do campeão Pérolas Negras, ao lado de Campos, 7 de Abril e Casimiro de Abreu. Mas o campeonato também foi fértil em momentos inusitados, curiosos e até mesmo bizarros. Aliás, aí é que esteve o maior legado do torneio.

Quando, no futuro, voltar-se no tempo para recordar como foi a Quartona de 2017, será preciso destacar a infinidade de "causos" que permearam a competição, marcada por gramados desgastados, clubes em dificuldades, estruturas deterioradas e histórias que beiram o inacreditável. Pensando nisso, o FutRio.net, testemunha ocular de mais da metade dos jogos da competição (e até de alguns WOs), elaborou uma lista com as 28 maiores curiosidades desta Série C, trazendo à tona uma realidade que poucos acreditam se encaixar com o futebol profissional.

Tem um pouco de tudo: de retrovisor quebrado pelo chutão de um defensor, passando por momentos divertidos, histórias de superação, problemas causados pela já conhecida falta de dinheiro dos clubes e até a incrível história de um pontapé inicial que, por pouco, não antecedeu um WO. Boa leitura!

28. Xingamento à arbitragem... antes do jogo
Dentro do futebol, é normal haver protestos após um jogo, sobretudo diante de uma atuação discutível da arbitragem. Mas reclamações que acontecem antes mesmo da bola rolar são muito raras. Em Paduano x Heliópolis, realizado em Miracema, o árbitro Fernando Varella relatou ter sido xingado pelo roupeiro do Trovão Azul ainda antes do pontapé inicial ser dado. Na súmula, ele disse que o funcionário do Paduano invadiu o gramado e gritou: "Vocês são uns bundões, essa Federação é uma merda". O jogo terminou empatado em 1 a 1 e o membro da comissão técnica foi posteriormente suspenso.

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27. No Tomazinho, mascotes roubaram a cena
Poucas são as equipes do Rio de Janeiro a terem um mascote em seus jogos. O Tomazinho, de São João de Meriti, pode se gabar de ter dois: o Lobo e a Loba. Na estreia do time como mandante, contra o Paduano, eles chamaram a atenção pela empolgação e até por provocarem jogadores do Paduano, ao ameaçarem lhes dar a bola mas refugarem na última hora, gerando um grito de "olé" de uma deleitada torcida. Os dois viraram figuras carimbadas na maioria dos jogos do Tomazinho na Série C e acabaram se tornando a sensação da competição em jogos dentro e fora da Baixada Fluminense. De certa forma, viraram os talismãs da equipe.

26. Profute só vai com dez em campo
A estreia da Quartona já propiciou um momento negativamente marcante para o Itaboraí Profute, que visitou o Campos no Aryzão. Sem conseguir inscrever todos os seus jogadores a tempo, a equipe entrou em campo com apenas dez jogadores e o goleiro Willian improvisado na linha. Severamente desfalcado e contra um dos favoritos ao acesso, o time foi levando gols e perdendo atletas lesionados, até estar sendo goleado por 6 a 0 e ver o meia Jefinho cair no gramado. Só com seis homens em campo, o Profute viu o jogo ser encerrado melancolicamente, antes mesmo dos 90 minutos regulamentares, num primeiro passo esquecível.

25. O não-goleiro que fechou o gol
No Louzadão, em Mesquita, o Campo Grande venceu o Riostrense com contornos mais que emocionantes. A 11 minutos do final, o goleiro Higor foi expulso ao levar o segundo cartão amarelo. Com o time sem opções por já ter feito as três substituições, o volante Hebert é que foi para o gol, na tentativa de manter a vitória de sua equipe por 3 a 2. Mesmo depois de defender muito bem uma cobrança de falta de Willian Barba, ele ainda precisou aguentar um pouco mais para assegurar os três pontos para o Campusca. Saiu consagrado de campo, talvez ainda mais feliz por não precisar mais voltar ao dever de ficar na baliza sem ser goleiro do que pela vitória.

24. Ceguinho é a mãe!
Em 8 de outubro, Miguel Couto e Pérolas Negras estavam no segundo tempo de jogo. Reclamações de fora de campo eram constantes, como sempre acontece nas partidas. Foi quando o preparador físico do time iguaçuano, José Batista da Silva, perdeu as estribeiras com o árbitro Wallace Santos. Do banco de reservas, gritou para o juiz: "Tá de sacanagem, seu ceguinho?". Se o "xingamento" foi curioso, o juiz não levou na esportiva e expulsou o profissional. Pior: por ter sido relatado na súmula, o caso acabou indo ao julgamento no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) e gerando uma suspensão de um jogo a José, que foi cumprida automaticamente.

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23. Yan, o gordinho bom de bola
A orelha do atacante Yan, do Miguel Couto, esquentou bastante em 2017. Os comentários sobre sua forma física, vindos das arquibancadas, eram frequentes. Mas o gordinho nunca se deixou intimidar. Após uma árdua luta para manter uma forma física que o permitisse atuar, o jogador estreou contra o Campo Grande e foi fundamental na vitória por 3 a 2, jogando 90 minutos sob um sol escaldante e participando do lance do gol da vitória. Simpático e raçudo, Yan ganhou então a titularidade na equipe de Álvaro Santos e marcou seu primeiro gol diante do Paraíba do Sul. Seu time foi eliminado, mas o atacante de 24 anos pode se considerar um campeão.

22. Inscrição que valeu como prêmio
As dificuldades do Paduano levaram os próprios jogadores a colocarem a mão na massa. Campeão da Terceirona de 2015 pelo Itaboraí, o goleiro Marco Antônio ainda não estava inscrito porque o Trovão Azul não tinha R$ 1.100 para encaminhar a documentação. Convencido pelo presidente do clube, o goleiro decidiu vender bilhetes de uma rifa que o Paduano fez para sortear camisas oficiais. Após algumas semanas rodando por Santo Antônio de Pádua, vendendo os cupons por R$ 10 cada, Marco conseguiu a quantia necessária e foi registrado. No entanto, nem jogou: ficou no banco quatro vezes e viu o clube ser eliminado, ironicamente, por causa de dívidas.

21. Faltou dinheiro e comunicação
Nem o adiamento do campeonato em três semanas – os times não tinham dinheiro para regularizar jogadores – foi capaz de evitar uma chuva de WOs já na primeira rodada, mas essa demora foi mais tarde explicada pelos próprios clubes. Como a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ) tinha ajudado financeiramente os clubes das Séries B1 e B2, as equipes da Quartona se movimentaram para pedir o mesmo, mas não receberam um "sim" definitivo. Muitos, porém, admitiram que se apoiaram nessa esperança para entrar em campo. Quando começou o campeonato, a ajuda não veio, a conta chegou e as reclamações foram gerais. Por sua vez, a Federação nunca admitiu oficialmente que daria o aporte financeiro aos clubes.

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20. Uniforme de menos, criatividade demais

Um dos retratos mais emblemáticos das dificuldades vividas pelos clubes da quarta divisão pôde ser observado no jogo entre Campo Grande e Teresópolis. O Terê foi para a partida só com dois atletas no banco de reservas, cenário corriqueiro na competição. Para piorar, só havia camisas disponíveis para os titulares. Quando o meio-campista Evandro machucou o ombro logo no primeiro tempo e precisou ser substituído, a preocupação foi geral. A solução encontrada foi pegar a camisa 8 vestida por ele e improvisar um número 1 do lado esquerdo da camisa com o uso de esparadrapos que formaram um 18. E foi assim que Matheus foi para o jogo.

19. Dubai vai ter que esperar
Antes do início da Série C, um time estreante prometia ser a sensação. O Brasileirinho, vencedor do Amador da Capital de 2016, tinha a ambiciosa meta de se tornar campeão mundial de clubes num espaço de dez anos, buscando uma ascensão meteórica e fomento às categorias de base. Porém, a realidade bateu à porta quando o clube não conseguiu inscrever nenhum jogador a tempo e foi excluído da Série C sem sequer entrar em campo. Restou jogar os campeonatos sub-15 e sub-17, nos quais ocupou a 13ª colocação, além do Estadual Feminino, em que terminou numa honrosa quarta posição. O projeto do futebol profissional, porém, ficou pelo caminho.

18. Uma "boquinha" no intervalo
Durante o duelo entre Tomazinho e EC Resende, pela penúltima rodada do returno, as equipes voltaram do intervalo e já aguardavam a autorização do árbitro Felipe da Silva Gonçalves. Porém, algo impediu a retomada do jogo. A equipe da ambulância que prestava serviços na partida saiu para fazer um lanche em um bar próximo ao Estádio Joaquim de Almeida Flores. Mas o árbitro disse que só recomeçaria o jogo com todos de volta à viatura. Os membros da equipe médica tiveram que ser chamados às pressas, na rua, para que a partida recomeçasse. No fim, a demora até que foi curta: apenas três minutos de atraso para o reinício do confronto.

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17. Nem o "gandula" se conteve
Afastado do Beronhão, sem laudos técnicos, o Tomazinho mandou alguns jogos no Louzadão. Lá, na partida contra o Paraíba do Sul, uma imagem incomum chamou atenção. Um funcionário do clube da Baixada, sozinho na arquibancada contrária à entrada principal, servia como uma espécie de gandula ao recolher bolas que ali caíam, já só havia gente designada para isso na outra lateral. Em dado momento, o homem se irritou com o árbitro Marco Aurélio Reges e, mesmo a muitos metros de distância, lhe mostrou o dedo do meio. Como já estava na arquibancada, não podia ser expulso... O clique que foi registrado nessa hora (acima) fala por si.

16. Paduano e Itaperuna amam se odiar
A relação entre os clubes do Noroeste Fluminense não poderia ter sido mais amarga em 2017. Já na pré-temporada, Paduano e Itaperuna empataram em 1 a 1 em um amistoso que terminou em pancadaria. O encontro entre os times na Quartona foi cercado de preocupações, mas só o placar é que se repetiu. Mesmo assim, os clubes chegaram a trocar farpas através das redes sociais e o Paduano ameaçou ir à Justiça para tirar pontos do Itaperuna por causa de jogadores irregulares, o que acabou não tendo maiores desenvolvimentos. No fim, ambos clubes acabaram suspensos por não terem pago os borderôs de seus jogos e perderam as chances de acesso.

15. Fábio Paim: chegou, mas não jogou
Antes do começo da Quartona, o Paraíba do Sul anunciou um jogador que tinha tudo para ser o principal nome do campeonato. O português Fábio Paim, de 29 anos, chegava com status de estrela ao Sul Fluminense. Considerado o sucessor de Cristiano Ronaldo nos tempos de juvenil, passou por grandes equipes europeias mas nunca se firmou devido a uma vida desregrada fora de campo. No Rio, foi recebido no Galeão e teve até um coquetel em sua homenagem. Sua experiência parecia suficiente para destoar na Série C mas ele nem estreou. Ainda no fim de agosto, sua documentação não tinha chegado e ele voltou para Portugal. Hoje, está no Leixões.

14. No Teresópolis, reclamação gerou demissão
A passagem de Sérgio Magalhães em 2017 como técnico do Teresópolis foi meteórica, mas marcante. Experiente, ele já tinha comandado o clube na década passada, mas desta vez só trabalhou na goleada sofrida para o Campo Grande (5 a 0). E criticou duramente a comissão técnica, a diretoria do Terê (a quem chamou de amadora) e revelou ainda que seus jogadores só tinham macarrão e ovo frito para comer no almoço, além de pão e café para a refeição matinal. No jogo seguinte, Sérgio já tinha sido demitido e Kaio Ribeiro assumiu seu lugar. Mais tarde, Diel Fernandes é que foi efetivado. O clube acabou excluído por causa de dívidas.

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13. "Isoporzinho" em meio ao futebol
Pode ser difícil de acreditar, mas um jogo da Série C também pode ser encarado como diversão. Que o digam os dirigentes do Itaboraí Profute. Na partida contra o Riostrense, no Marrentão, os dirigentes se somaram a alguns torcedores e improvisaram uma "resenha" regada a salgadinhos e latinhas de cerveja, enquanto assistiam à vitória de sua equipe por 3 a 0. Para incrementar o clima de lazer, crianças de uma escola estadual que fica atrás do estádio se juntaram para ver o duelo e escolheram um jogador para apoiar: o atacante Darlan, que acabou fazendo o gol da vitória e foi comemorar junto da garotada, que se equilibrava em uma cabine vazia.

12. Não teve jogo, mas teve furto
Em setembro, o jogo entre Heliópolis e Paraíba do Sul acabou nem acontecendo porque o time de Belford Roxo, alegando falta de dinheiro para as despesas, sequer compareceu ao Estádio Joaquim Flores, em Nilópolis. Mesmo assim, houve espaço para um fato lamentável. Os árbitros auxiliares Rafael Almeida e Rafael Vieira da Silva tiveram seus celulares furtados no vestiário, que ficou aberto durante a espera de meia-hora. Na súmula, a justificativa do presidente do Nova Cidade, responsável pelos vestiários, é de que eles só poderiam ser trancados pelo time mandante, que não compareceu. O caso foi registrado na 57ª DP (Nilópolis).

11. Dois presidentes e uma confusão
Fora de campo, o Itaperuna viveu um final de temporada que beirou o inacreditável. Às voltas com a luta pelos play-offs (sem sucesso, devido à suspensão por dívidas), o clube terminou a Série C com dois presidentes. Aílton Salles, eleito em 2015, foi cassado em uma assembleia extraordinária dentro do clube, dando ao vice Tito Camargo o direito de assumir. Em outubro, Tito notificou Aílton sobre a cassação e até trocou as fechaduras do clube, mas permitiu que o adversário entrasse na sala da presidência para "buscar documentos", mas Aílton não saiu mais de lá desde então. Com um mandatário de fato e outro de direito, o caso deve parar na Justiça.

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10. Má pontaria gerou prejuízo
Um chute para fora do estádio foi o momento mais marcante de um fraco EC Resende x Paduano, no Marrentão. No começo do segundo tempo, o lateral Berrío, do Paduano, afastou com força uma bola, que saiu pela lateral. A pelota encobriu a arquibancada e só foi cair na rua, mas bateu justamente no espelho retrovisor de uma van que passava pela Estrada de Xerém naquele exato momento. Enfurecido, o motorista desceu da caminhonete e exigiu que o "responsável" pelo prejuízo aparecesse e pagasse pela avaria. Convencido por populares de que havia um jogo em curso a metros dali, desistiu e foi embora resignado. Em campo, o Trovão ganhou por 1 a 0.

9. O milagre da multiplicação dos goleiros
Riostrense x Paduano, pelo segundo turno, foi pródigo em histórias. O time mandante começou o jogo sem o goleiro titular William, o único inscrito pela equipe no campeonato, mas que tinha sido dispensado após uma discussão com o presidente. Sem opções, o time foi para o duelo com o zagueiro Marcelo Cacau improvisado na baliza. O veterano de 36 anos começou a carreira como arqueiro e vinha segurando o empate em 1 a 1, mas se machucou no segundo tempo, dando lugar a Jefferson Paulista, que também não era goleiro de ofício. No fim, o Paduano ganhou por 2 a 1. Na última partida, o júnior Lucas foi promovido para o jogo contra o 7 de Abril.

8. Regulamento: escreveu e não leu...
A maior confusão do ano surgiu quando o Paduano anunciou que denunciaria o Itaperuna por jogadores irregulares, que não tinham cumprido suspensões por cartões amarelos. A Águia alegou que os cartões zeravam ao fim do primeiro turno, mas o regulamento diz que isso só ocorre mesmo ao fim da fase preliminar (que não aconteceu, mas está prevista para 2018) e da fase principal (a fase de grupos em si). De forma surpreendente, o Itaperuna interpretou que a fase preliminar correspondia ao turno e não a uma fase que sequer foi disputada neste ano. Assim, via o caso como regular. O imbróglio acabou não sendo julgado. Entendeu? Nem o Itaperuna.

7. Se camisa ganha jogo, também perde
Os jogadores do Riostrense estavam se preparando para enfrentar o Teresópolis, pelo segundo turno, mas não puderam nem sair dos vestiários do Louzadão porque não havia uniformes disponíveis. O presidente do clube, Glauco Carvalho, alegou que estava voltando de uma viagem a Guarapari (ES), onde buscava patrocinadores para o clube, e que tinha ficado com os kits de jogo dos atletas. Após 450 km de viagem, ele disse ainda ter tentado imprimir a súmula em Niterói, onde mora, mas que seu bairro estava sem energia elétrica. Para piorar, teve um problema mecânico no automóvel e chegou atrasado ao Louzadão. Seu time perdeu por WO: incrível.

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6. Ir ao Marrentão virou dor de cabeça
Não é que os gramados da Série C sejam do mesmo nível que o Camp Nou ou o Estádio de Wembley, mas o que se viu no Marrentão na reta final da Quartona assustou até quem está acostumado a campos esburacados e desnivelados. Reformado em abril para o início da Série B1 do Estadual, o campo do Duque de Caxias serviu como casa para diversos clubes da segunda, terceira e quarta divisões, o que desgastou rapidamente seu estado. Não demorou para que o verde desse lugar a um tom amarelado, por causa da falta de grama. O aspecto de "terrão" do local desencadeou uma chuva de críticas por parte dos times que tiveram que jogar em Xerém.

5. A inauguração que ficou para depois
A quarta rodada do returno reservava um dos jogos mais aguardados do campeonato. Pérolas Negras e Campos se enfrentariam na primeira partida oficial do recém liberado Estádio de Avelar, em Paty do Alferes. No entanto, a bola nunca rolou. A ambulância do time da casa não tinha os medicamentos necessários. Outra viatura chegou ao local, mas também não atendia aos requisitos. Assim, o Campos ganhou por WO e o Pérolas teve que devolver o dinheiro dos ingressos em plena inauguração do estádio. A forra patiense viria na final, quando o Pérolas não só enfrentou o Campos como venceu (3 a 0), faturando mais tarde o título da Série C.

4. Pontapé inicial depois da hora do jogo
Em 11 de outubro, o Riostrense recebeu o Paduano e uma homenagem foi feita pelo time da casa ao antigo lateral-direito Jair Marinho, do Fluminense, campeão mundial em 1962 com a Seleção Brasileira. Estava previsto um pontapé inicial simbólico, mas um atraso na ambulância adiou o começo do jogo, marcado para as 15h. A homenagem só aconteceu às 15h15, num caso talvez inédito de um pontapé inicial dado após a hora da partida. Por pouco, a coisa não se tornou ainda mais bizarra: a ambulância só chegou às 15h22 e, por oito minutos, Jair Marinho não foi o primeiro homem a dar o pontapé inicial de um jogo que nunca começou.

3. Apertem os cintos, os times sumiram
Pela sexta rodada do returno, Teresópolis e Heliópolis se enfrentariam no Atílio Marotti, em Petrópolis. No dia do jogo, porém, a arbitragem não encontrou ninguém: as equipes simplesmente não foram para a partida, alegando falta de dinheiro. E havia gente no próprio estádio que nem sabia do jogo já que, pouco antes da hora marcada para a partida, um treino dos juniores do Serrano acontecia em campo. Procurados pela reportagem do FutRio.net, jogadores do Terê e do Heliópolis acharam que seus rivais tinham ganhado por WO, mas a verdade é que o jogo não teve vencedor e terminou num inacreditável WO duplo, algo até recorrente neste 2017.

2. WOs duplos: marca registrada
Teresópolis x Heliópolis poderia ter sido um fato isolado, mas passou longe disso. Assim como no insólito duelo que não aconteceu, outros cinco jogos terminaram em WO duplo. Já na primeira rodada, Paduano e Paraíba do Sul não tinham atletas inscritos e foram ambos declarados perdedores. Depois, a cena se repetiu em Riostrense x Paraíba do Sul, um duelo de times excluídos. Nas últimas duas rodadas, o número de incidências dobrou após mais três partidas marcadas terem deixado de acontecer, já que envolviam clubes suspensos ou excluídos. Assim, foram seis os jogos sem vencedores, totalizando 41 WOs, o equivalente a 29% do campeonato.

1. Quando o rodapé do boleto ofusca a bola
Falta de dinheiro não é novidade entre os times pequenos. Mas, em 2017, a questão atingiu outro nível. Na semana da última rodada, nada menos que sete equipes foram suspensas por não terem pago os borderôs de 35 partidas da Série C. As dívidas, em média, de R$ 15 mil, só foram quitadas por dois dos suspensos (EC Resende e Casimiro de Abreu), que voltaram à competição. Outros três clubes foram excluídos, também às voltas com dívidas. Com isso, só houve dois jogos na jornada final e a fase de grupos acabou com sete times ativos entre os 17 que tinham começado. O Itaperuna, que só dependia de si para chegar aos play-offs, perdeu seus últimos dois jogos por WO e viu o sonho do acesso escorrer pelos dedos.

Tags: Carioca Série C

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