Em 06/10/2017 às 20 h17

O lado ruim: 10 pontos mais negativos da Série B1 do Carioca em 2017

Segundona também teve suas confusões, polêmicas e lembranças menos saudosas


Autor: Gabriel Andrezo / Fotos: Gabriel Andrezo, Vitor Costa e Carlos Junior (FutRio)

A Série B1 do Carioca terminou há quase uma semana. Os grandes momentos da competição, conquistada pelo Goytacaz, ficaram na memória dos torcedores e admiradores do futebol do Rio de Janeiro. Porém, também houve espaço para pontos negativos. Polêmicas, confusões, questões organizacionais e até cenas lamentáveis formaram os destaques da temporada que é melhor que ficassem mesmo no passado. Assim como fez com o "top 10", o FutRio.net elaborou mais uma lista, desta vez citando os dez momentos menos memoráveis da competição em 2017. Boa leitura!

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10. Pagantes x presentes, uma realidade confusa
A questão não chega a ser nova, mas ainda gera curiosidade nos jogos do Estadual. Nos borderôs divulgados pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ), é comum aparecer um número de pagantes e outro, menor, de presentes. Os números confusos têm explicação: o time mandante precisa arcar com uma quantidade mínima de ingressos antes de colocá-los à venda. Só depois é que eles são comercializados. Assim, quando a assistência é inferior ao mínimo de bilhetes, divulga-se um número redondo (pagantes) e mais outro, quase sempre menor, com o número de pessoas que efetivamente pagaram ingresso naquele dia (presentes). Coisas do futebol carioca.

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9. Dança dos técnicos começa mais cedo do que nunca
Mudanças de treinadores sempre acontecem, mas a Segundona de 2017 pareceu disposta a bater todos os recordes. A apenas três dias da estreia, o Queimados deixou de ter Mazolinha, que pediu demissão. Já no dia seguinte à primeira rodada, quando perdeu para o São Gonçalo EC, o Barra da Tijuca demitiu Alexandre Gomes. A mudança-relâmpago acabou dando resultado, já que o substituto Lira fez o Tricolor engrenar rumo à nona colocação geral. Mas as várias mudanças causaram questões curiosas, como a do técnico João Carlos Ângelo, que começou no vice-campeão America, que subiu, mas terminou no Americano, que não conseguiu o acesso. Ao todo, foram 12 mudanças de treinador. Só o Queimados mudou três vezes.

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8. Barcelona e seus turnos de "médico e monstro"
Recém-promovido da Terceirona, o Barcelona chegou à segunda divisão deste ano como um time que, em tese, se preocuparia mais em não cair do que com as maiores aspirações possíveis. Como o futebol é, muitas vezes, imprevisível, o time de Jacarepaguá começou com tudo. Logo na primeira rodada, bateu o favoritíssimo America. Depois, obteve triunfos diante de Serra Macaense, Itaboraí, Carapebus, Queimados e Barra Mansa, que colocaram o time como sensação do torneio e quase o classificaram às semifinais do turno. O rebaixamento já era uma possibilidade posta de lado. Porém, quando se esperava a manutenção da campanha na Taça Corcovado, o rendimento caiu vertiginosamente: só uma vitória em dez jogos fizeram o Barça terminar na modesta 16ª colocação geral.

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7. Olaria e torcedores viveram "lua de fel"
Se é verdade que torcida ajuda a ganhar jogo, não parece ter sido assim que o Olaria encarou as coisas em 2017. Dono de fraca campanha (14° lugar), o Alvianil encarou críticas duras de seus torcedores desde o começo do campeonato. No empate com o Itaboraí, chuva de críticas sobre o técnico Fernando Santos e o presidente Pintinho. Uma declaração do dirigente ("eles pensam que torcer é chegar aqui, beber uma cerveja, gritar e xingar todo mundo") só acirrou os ânimos e o time praticamente não teve mais paz em casa. Fernando chegou a ver com bons olhos a ausência dos torcedores, depois da vitória sobre o Carapebus. O momento mais tenso na relação foi a derrota para o Gonçalense, quando Pintinho até passou mal após discutir com torcedores e cenas de vandalismo foram observadas.

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6. Nas horas decisivas, o Audax não decolou
Se, por um lado, o futebol ofensivo e dinâmico do Audax Rio encantou durante a Segundona, por outro a equipe de Meriti falhou exatamente quando menos poderia. Na Taça Santos Dumont, o time fez campanha impecável e ficou invicto, mas foi derrotado nos pênaltis para o Goytacaz. Embora não pudesse ser o primeiro time a garantir vaga antecipada às semifinais, o Audax seguiu com a melhor campanha até o fim da competição, mesmo eliminado das semifinais do returno. No jogo do acesso, contra o America, o Audax tinha a vantagem do empate para chegar à Série A, mas apresentou seu pior futebol no ano e, de novo, decepcionou. Com a derrota, ficou mais um ano na Segundona e, mesmo com o melhor ataque (46 gols), frustrou sua torcida.

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5. As inúmeras dificuldades do Barra Mansa
Minutos antes do jogo contra o Olaria, em junho, o então técnico Gilberto Pereira, do Barra Mansa, deu uma entrevista polêmica à Rádio FutRio. Após seu time chegar atrasado à Bariri, a apenas meia-hora da partida, o treinador enfatizou os problemas do clube: "Hoje, estamos aqui. Amanhã, a gente não sabe se vai poder vir". Era um retrato - e até uma antecipação - do que viria. Sem dinheiro, o clube viveu uma via-crúcis em 2017. Não conseguiu liberar o Estádio Leão do Sul e, com isso, mandou jogos em cinco locais diferentes, de Nilópolis a Angra dos Reis, onde até levou W.O.. Sem transporte, foi preciso improvisar e ir de van a alguns jogos, com o banco de reservas quase sempre incompleto. No último jogo, contra o Gonçalense, só havia os 11 titulares. O Barra Mansa acabou rebaixado à Terceirona.

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4. "Hackers", "vermes" e ameaças: o lado feio do Goyta-Cano
A semana do Goyta-Cano do Século parecia tranquila, mas a rivalidade ganhou um grande capítulo a dois dias do jogo. Em seu site oficial, o Americano divulgou uma entrevista com o técnico João Carlos Ângelo em que o treinador provocava o Goytacaz, dizendo que o Alvianil "estava fazendo bodas de prata na segunda divisão". Após a repercussão no FutRio.net, o Alvinegro alegou que o site foi vítima de um hacker e que a declaração era falsa. Se a versão não foi aceita por alguns torcedores, não houve filtro após o jogo: a classificação do Goytacaz sobre o rival fez o presidente alvianil, Dartagnan Fernandes, chamar de "verme" o diretor de futebol do Cano, Luciano Viana, que respondeu à altura ("aonde eu boto o pé, ele não coloca a língua"). A esportividade passou longe.

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3. Joaquim de Almeida Flores: chuva de reclamações
A surpreendente liberação do Estádio Joaquim de Almeida Flores ao público - e, consequentemente, para receber jogos oficiais - parecia um bom momento para movimentar o futebol na Baixada Fluminense. Mas o campo de Nilópolis agradou a pouquíssima gente. As reclamações pelas condições precárias do gramado foram feitas por todos: de jogadores a comissões técnicas, passando por dirigentes e até torcedores. Em 2 de julho, Queimados e Serra Macaense jogaram num terreno totalmente alagado (veja vídeo acima), mas que foi considerado "em boas condições" pelo árbitro Pedro Goulart Martins, no relatório de jogo. A diretoria do Nova Cidade se defendeu, lembrando que até cinco equipes diferentes chegaram a mandar jogos lá ao mesmo tempo, entre as Séries B1, B2 e C.

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2. Manipulação de resultados: teve ou não teve?
Um ano após o "Caso Guito Wagner", novo escândalo sobre possível manipulação de resultados voltou a assombrar a Segundona. Em agosto, o São Cristóvão procurou o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-RJ) para denunciar uma abordagem criminosa sobre três jogadores (Germano, João Victor e Shalom), para que estes fizessem "corpo mole" em um jogo contra o Americano, em troca de dinheiro. Os atletas procuraram o técnico Hugo Sales, que comunicou à diretoria. A repercussão gerou manifestações como a do técnico Helinho, do Barcelona, que alegou também ter sido procurado, mas recusou a oferta. A diretoria cadete disse que os jogadores podem ter sido vítimas de uma "máfia das apostas" interessada em vendas de resultados. O São Cri-Cri acabou rebaixado e o caso ainda não teve desdobramentos.

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1. Controvérsia e confusão ofuscam final da Corcovado
No dia mais negativo da Segundona, dentro e fora das quatro linhas, Itaboraí e America decidiram a Taça Corcovado, pela última vaga do acesso. O primeiro tempo terminou em 1 a 1, com um pênalti para cada lado e uma expulsão (Fabão, do Itaboraí). Na segunda etapa, a Águia desempatou através de Bruno Santos, ficando perto do título. Aos 40 minutos, o árbitro João Batista de Arruda marcou outro pênalti para o America, perdido por Léo Rocha. Nos acréscimos, novo penal, desta vez convertido por Allan. As reclamações da ADI começaram ainda antes dos pênaltis, que terminariam com triunfo (e título) americano. Aí, o Elcyr Rezende virou um inferno: reservas e dirigentes invadiram o campo, torcedores tentaram fazer o mesmo e atiraram objetos no gramado e até sobre jornalistas. Uma bomba vinda das arquibancadas quase atingiu um delegado da FFERJ. No TJD, o Itaboraí perdeu cinco mandos de campo e foi multado em R$ 50 mil. O título e a comemoração do America ficaram em segundo plano.

Tags: Carioca Série B1

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