12/10/2018 às 19h10m

12 de outubro: Os 105 anos do Bonsucesso

Rubro-Anil é histórico celeiro de craques na Leopoldina

Não é só o São Cristóvão que completa mais uma primavera em um 12 de outubro. Outro clube, não muito afastado da Figueirinha, é outro a soprar velinhas no feriado nacional: o Bonsucesso Futebol Clube, fundado em 1913, completa 105 anos nesta sexta-feira (12), para mais uma comemoração e festa de seus torcedores. Uma história de vitórias e feitos importantes no futebol do Rio de Janeiro, além de grande identificação com seu bairro e sua região. Além dos grandes craques que já atuaram com a camisa vermelha e azul, o Cesso conquistou a fama de clube suburbano e simpático, dono de um estádio acanhado e tradicional, na Avenida Teixeira de Castro.

Já nos primeiros anos, o clube entrou nas disputas do Campeonato Carioca. Em princípio, no entanto, limitou-se às disputas da Liga Suburbana, que não contava com os clubes mais tradicionais. Na Liga, faturou as duas primeiras divisões de maneira consecutiva, chegando de vez ao Carioca em 1920. Jogou a Segundona e empilhou quatro títulos na década, mas como o campeonato nem sempre tinha acesso direto, o que manteve a equipe por muitos anos longe dos maiores clubes do Rio.

A partir de 1929, o time passou a frequentar a elite com assiduidade. Em seu time, brilhou Leônidas da Silva, que chegou à Seleção Brasileira e tornaria-se um dos maiores craques de sua época. Provavelmente, foi nos anos 30 que o Cesso atravessou seu melhor momento, tendo ainda Gradim como craque marcante dentro e fora de campo, tendo sido jogador e, posteriormente, treinador. A equipe chegou a derrotar o Palestra Itália (SP), que mais tarde se tornou Palmeiras, e São Paulo.

Mas os melhores resultados do Cesso começaram a vir apenas na década de 50: apesar de ter chegado em quatro lugar duas vezes no então dividido Campeonato Carioca, em 1935 e 1936, só voltou a fazer uma grande campanha em 1955, quando ficou em sexto. Nos anos 60, repetiu a campanha duas vezes e virou pedra no sapato de grandes equipes, surpreendendo Flamengo, Botafogo, Vasco e Fluminense algumas vezes. Em 1975, o Bonsuça chegou a derrotar o River Plate (ARG) no Torneio Conde de Fenosa, na Espanha, construindo também resultados destacados em excursões ao exterior.

A partir dos anos 80, a consolidação da segunda divisão do Carioca deu ao Cesso a chance de faturar mais títulos, em 1981 e 1984. O fim do Século XX viu o clube perder espaço nos grandes campeonatos e o time disputou a última edição na elite em 1993. Uma impensável queda para a Terceirona ocorreu na virada do Século, mas o clube se recuperou com o título, em 2003. Depois de vários anos fora da elite, o título da Série B de 2011 recolocou o clube no maior cenário estadual. Ultimamente, o Cesso vem oscilando entre as duas principais divisões e, mesmo tendo "estacionado" na Série B1, ainda é um dos clubes que mais jogou a elite do Estadual, com 58 participações.

O Bonsucesso disputou o Campeonato Brasileiro apenas duas vezes, jogando a Taça de Prata (equivalente à segunda divisão) em 1981 e 1983. Entre seus grandes jogadores na História, destacam-se nomes como Pedro Nunes, Severiano, Urubatão, Barbosa, Gilbert, Alcir, Zé Mário, Cabral, Nilo, Moisés, Pedrinho, Jair Pereira, Naldo, Lulinha, Maurício, Leandro Euzébio, Túlio Maravilha e Allan.

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06/09/2018 às 18h21m

Leônidas da Silva, o Diamante Negro, nascia há 105 anos

Um craque dos primórdios do futebol, orgulho do Bonsucesso

Nesta quarta-feira (6), completam-se 105 anos do nascimento de Leônidas da Silva. Um dos grandes jogadores de sua geração o "Diamante Negro" pode ser considerado o primeiro popstar do futebol brasileiro, já que sua imagem foi muitas vezes vinculada a propagandas e até a filmes no cinema, como não havia acontecido até então com nenhum outro jogador. O craque é um dos grandes orgulhos do Bonsucesso, onde brilhou no começo da carreira, mas a honra de ser o primeiro clube do lendário atacante é bastante discutida.

Leônidas nasceu em 6 de setembro de 1913. Embora tenha jogado pela primeira vez num time profissional pelo Syrio & Libanez, aos 16 anos, o São Cristóvão contesta para si ser o revelador do jogador, embora ele não tenha defendido a equipe no nível principal. Depois de um ano no Syrio, foi para o Bonsucesso, onde fez história nas três temporadas em que defendeu o Rubro-Anil. Tornou-se um dos maiores artilheiros da história do clube e chegou à Seleção Brasileira pela primeira vez.

Foi no Cesso em que Leônidas começou a tornar famosa a bicicleta, jogada do chute acrobático, por cima da cabeça, que se tornaria sua marca registrada. Porém, o advento do profissionalismo no futebol brasileiro, somado a uma briga que teve com dirigentes do Bonsucesso, Leônidas deixou o Cesso e chegou a ficar quase um ano parado. Foi para o Uruguai, jogar pelo Peñarol, fez sucesso e acabou repatriado pelo Vasco, em 1934, ano em que jogou sua primeira Copa do Mundo pelo Brasil. Já famoso pelos gols e grandes jogadas, atuou ainda pelo Sport Club Brasil e pelo Botafogo.

Em 1936, desembarcou no Flamengo e se tornou o maior artilheiro do clube até então, com 153 gols em 149 jogos: uma incrível e até hoje insuperável média superior a um gol por partida. Foi campeão carioca na Gávea, como já tinha sido no Bota e no Vasco, confirmando sua característica artilheira também na Seleção. Na Copa do Mundo de 1938, fez nove gols e ajudou o Brasil a ser terceiro colocado no Mundial da França. Foi ainda o primeiro brasileiro artilheiro de uma Copa.

No início dos anos 40, transferiu-se para o São Paulo, onde encerrou a longa carreira, aos 37 anos. Mesmo sendo carioca, fixou residência na capital paulista e se tornou comentarista esportivo de rádio e TV. Morreu aos 90 anos, em 24 de janeiro de 2004, recebendo a homenagem do Bonsucesso, clube que o fez desabrochar para o mundo do futebol. O estádio da Rua Teixeira de Castro, onde ele tantas vezes jogou, passou a ser chamado Estádio Leônidas da Silva.

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Nas primeiras décadas do futebol carioca, falar em gol era o mesmo que falar em Nilo. Um dos mais letais atacantes de todos os tempos, ele nasceu há exatos 115 anos e foi o maior artilheiro de seu tempo nos campos do Rio de Janeiro. De seus pés, saíram 196 gols com as camisas de Botafogo e Fluminense. O baixinho Nilo teve ainda uma passagem de sucesso pela Seleção Brasileira, com a qual disputou a primeira Copa do Mundo, em 1930.

Nilo Murtinho Braga nasceu no Rio de Janeiro, em 3 de abril de 1903. Embora tenha começado no time mirim do Fluminense, chegou ao Botafogo em 1919. Embora tenha atuado nos dois primeiros anos sem muito destaque, acabou tendo entreveros internos com a diretoria e tomou a inusitada decisão de ir para o Sport Club Brasil, da segunda divisão do Carioca. O motivo era não precisar enfrentar o Alvinegro, seu clube de coração.

No Brasil, Nilo fez sucesso no ano de 1922, voltando ao Bota na temporada seguinte, anotando 12 gols. Voltou a sair do Alvinegro, teve nova passagem pelo Sport Club Brasil e, depois, regressou às Laranjeiras, onde começou a fazer crescer seu futebol, após as primeiras chamadas à Seleção Brasileira. Pelo Flu, foi artilheiro do Carioca de 1924, ano em que conquistou seu primeiro título na competição. Fez 28 gols, o dobro do segundo colocado.

Se não voltou a levantar a taça pelo Flu, voltou de vez ao Botafogo em 1927. Logo na temporada de retorno, voltou a ser artilheiro do Carioca, marcando incríveis 30 gols. Destacaram-se as atuações contra o Flamengo, na histórica goleada por 9 a 2, quando marcou quatro vezes. Três semanas depois, balançou a rede em nada menos que seis oportunidades nos 8 a 1 em cima do Villa Isabel. Foi assim que entrou de vez para a história alvinegra, ganhando o título carioca daquele ano.

A dominância de Nilo entre os atacantes do Rio se manteve nos anos seguintes, mantendo grandes marcas com as três camisas que vestia: Botafogo, Seleção Brasileira e Seleção Carioca. Em General Severiano, tornou a ser campeão em 1930. Depois, fez parte do time que conquistou o inédito tetracampeonato carioca, entre 1932 e 1935. No ano do bi, foi novamente goleador, anotando 19 vezes. Na Seleção, fez 11 gols em 19 partidas e disputou a primeira partida do Brasil na história das Copas do Mundo, uma derrota por 2 a 1 para a Iugoslávia, no Uruguai.

Nilo encerrou sua carreira vitoriosa em 1937, aos 34 anos. Quando parou, ninguém tinha mais gols no Rio do que ele. E assim se manteve até os anos 50. Somou, ao todo, seis títulos cariocas, uma Copa Rio Branco, um Torneio Interestadual e cinco Brasileiros de Seleções. É, até hoje, o quinto maior artilheiro da história dos cariocas, só atrás de Roberto Dinamite, Zico, Romário e Ademir Menezes. Ostenta, ainda, uma marca rara: a de ter feito seis gols no mesmo jogo em duas oportunidades, pelo Botafogo, clube em que também é o quinto maior goleador (190 gols).

Nilo faleceu em 5 de fevereiro de 1975, aos 71 anos. Os feitos do maior artilheiro dos tempos amadores do futebol, no entanto, ficam para a eternidade.

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Nasceu, em 23 de março de 1918, Manoel Pessanha, o popular Lelé. Um dos maiores craques do futebol carioca em fins dos anos 30 e também na década de 40, ele marcou época com as camisas de Madureira e Vasco da Gama, sendo um atacante de grande habilidade e chute fortíssimo. Por isso, seu apelido, quando chegou a São Januário, passou a ser "O Canhão da Colina".

Lelé nasceu na cidade de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Há fontes que indicam seu nascimento em 23 de fevereiro, mas Madureira e Vasco se pronunciaram em redes sociais na data supracitada. Apesar de jogar em clubes campistas no começo da carreira, logo veio ao Rio para defender o Madureira. Lá, encontrou-se com dois contemporâneos, também homens de ataque: Jair Rosa Pinto e Isaías, com quem formaria um trio invejável.

No Madureira, Lelé destacou-se junto aos companheiros. A tríade ganhou o apelido de "Os Três Patetas", em alusão ao célebre grupo de humoristas norte-americanos que faziam sucesso nos anos 40. O sucesso deles era tanto que até juntaram-se ao Flamengo, numa série de amistosos no fim de 1941, uma prova da já presente cobiça dos clubes maiores em seu futebol. Mas quem os levou foi mesmo o Vasco, no começo de 1943, levando todos de uma vez.

O responsável pela movimentação foi o técnico uruguaio Ondino Viera, um dos mais revolucionários de seu tempo. No Vasco, os "Três Patetas" repetiram o sucesso e faturaram o título carioca de 1945. Aquele era o início do "Expresso da Vitória", maior esquadrão já montado pelos vascaínos e que conquistou diversos títulos. O trio, porém, durou pouco: Jair foi para o Flamengo e Isaías afastou-se do futebol por conta da tuberculose, que o matou em 1949. Lelé seguiu no Vasco e ganhou ainda mais um Carioca e o Campeonato Sul-Americano.

O prosseguimento da carreira de Lelé foi no Flamengo, mas ele jogou pouco na Gávea. Depois, viveu período de muito sucesso na Ponte Preta (SP), fixando mais tarde residência em Campinas, além do São Paulo, onde encerrou a carreira. Foi artilheiro do Carioca de 1945, com 15 gols. É, ainda hoje, o nono maior artilheiro da história vascaína, com 149 tentos. Morreu aos 85 anos, em Campinas, no dia 16 de agosto de 2003.

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Foi num domingo, 14 de março de 1948, que o Vasco da Gama rompeu as fronteiras do Brasil para se tornar o primeiro clube campeão sul-americano da História. O Gigante da Colina conquistou o Torneio Sul-Americano de Clubes Campeões, no Chile, competição que foi embrião para a disputa, a partir de 1960, da Copa Libertadores da América. Aliás, há correntes que afirmam que este formato também teria dado origem à Liga dos Campeões da Europa, que começou a ser disputada em 1955.

O pioneiro título do Vasco foi conquistado após um empate sem gols com o River Plate (ARG). A caminhada até lá, no entanto, foi bem mais longa. A competição contou com sete times e foi em pontos corridos. Os campeões nacionais da Argentina, Bolívia, Chile e Uruguai representaram seus países, sendo eles o próprio River, além de Litoral, Colo-Colo (organizador do torneio) e Nacional, respectivamente. O Municipal foi o representante do Peru, mesmo sendo vice-campeão de seu país, já que o Atlético Chalaco, campeão, recusou-se a jogar.

Porém, nem todos os países sul-americanos tinham campeonatos nacionais. O Equador era um deles e, por isso, foi chamado o Emelec, campeão da cidade de Guaiaquil e mais forte entre os clubes de seu país. E o outro era o Brasil. Como só existiam campeonatos estaduais em 1948, o Vasco foi chamado por ser o atual campeão do Estado que detinha o título de seleções estaduais. Como o Rio de Janeiro era tricampeão nacional, os cruz-maltinos, campeões cariocas de 1947, foram convidados para o campeonato.

Quando a bola rolou, o Vasco foi soberano. Na estreia, venceu o Litoral (BOL) por 2 a 1. Depois, goleou Nacional (URU), por 4 a 1, e Municipal (PER), por 4 a 0. Depois, uma vitória pelo placar mínimo sobre os equatorianos do Emelec e um empate com os chilenos do Colo-Colo deixou o Vasco a um empate do título. Do outro lado, porém, estava o temido River Plate, conhecido como "La Máquina": o melhor time da argentina. Como o Vasco poderia abrir três pontos de vantagem sobre os argentinos, que ainda jogariam uma vez mais após aquele domingo, o título já estaria definido: naquela altura, a vitória valia apenas dois pontos.

No River, o time tinha os notáveis Di Stéfano (que se consagrou no espanhol Real Madrid, anos depois), Labruna e Loustau. Jogava o Vasco com Barbosa; Augusto e Wilson; Ely, Danilo e Jorge; Djalma, Maneca, Friaça, Ismael e Chico. Os argentinos, com Grisetti; Vaghi e Rodríguez; Yácono, Rossi e Ramos; Reyes, Moreno, Di Stéfano, Labruna e Loustau. Num jogo tenso, o explosivo Chico foi expulso após uma troca de agressões com Méndez, que entrou no segundo tempo.

Pelos últimos minutos, um pênalti para o River. O chute que podia ter mudado o destino daquele título foi feito pelo grande Ángel Labruna. Mas, do outro lado, também havia um grande: Moacir Barbosa, o goleiro cruz-maltino, caiu para o canto esquerdo após um chute fraco e manteve o zero no placar. Ao fim dos 90 minutos, mais cinco minutos de prorrogação viram o River perder duas chances claras e a confirmação de que o Vasco da Gama era o primeiro campeão sul-americano, diante de um lotado Estádio Nacional de Santiago.

Se a comemoração já foi grande no Chile, no Rio, dias depois, a festa foi imensa. A conquista foi grandemente valorizada pela imprensa do Brasil e do exterior. A primazia de um título continental fez o Vasco buscar, junto à Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), o reconhecimento da conquista como uma Libertadores, que o Vasco conquistou no ano de 1998. Até hoje, o campeonato não é oficialmente igualado com o torneio disputado atualmente, mas a importância e o peso de sua conquista vão além disso. Naquela tarde, em Santiago, o time de São Januário provou ter vocação para o pioneirismo.

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Neste sábado, 10 de março, completam-se 40 anos do nascimento de Alex Arruda, um dos grandes ídolos da história do Serrano Foot-Ball Club, de Petrópolis. Antigo meia e atacante, destaca-se atualmente como gerente de futebol do clube, reafirmando um status de importância dentro do Leão da Serra, onde conquistou alguns dos títulos mais importantes do clube nos últimos anos, não só dentro como fora das quatro linhas.

Alex Monken Arruda nasceu em Petrópolis, em 1978. Apesar de atuar no Serrano na base, não demorou muito para ir à capital para defender Flamengo e Vasco. Profissionalizou-se em São Januário, mas ganhou as primeiras oportunidades no Serrano, onde estreou em 1997, aos 19 anos. Jogou três vezes a segunda divisão do Campeonato Carioca, conquistando o título de 1999 pelo clube azul e branco.

Passou ainda pelo São Cristóvão e, em seguida, transferiu-se para o futebol europeu. Ficou três anos na Hungria, jogando pelo tradicional Ferencváros. Na sequência, rodou por Tatabánya (HUN), Lokomotiv Sofia (BUL) e Spratzern (AUT). Nos últimos dois anos, voltou a Petrópolis para defender o Serrano, despedindo-se em 2008, ano da queda do clube da segunda para a terceira divisão.

Após a precoce aposentadoria, aos 30 anos, dedicou-se a função de técnico, trabalhando na base do Serrano e do Imperial, também de Petrópolis. Em 2016, recebeu o convite para voltar ao Leão da Serra após fazer cursos e trabalhar no Vera Cruz (BA). Assumiu como gerente de futebol e reconduziu o clube à Segundona logo em seu primeiro ano. Sete vezes campeão (seis vezes na base, uma no profissional), é não só um dos grandes vencedores da história do Serrano, mas um de seus grandes expoentes em mais de 100 anos de história.

Felicidades ao grande Alex Arruda, serranista de berço.

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Muito se fala que, no Brasil de hoje, não pagar a pensão alimentícia é um dos únicos crimes que realmente dá cadeia. No entanto, não é de agora que isso acontece e que assombra, principalmente, os jogadores de futebol. Há exatos 50 anos, ninguém menos que Mané Garrincha, o gênio das pernas tortas, escapou de ir parar no xadrez por conta de uma dívida relativa à pensão de suas oito filhas. Só foi salvo por conta de uma doação inesperada e em cima da hora, numa altura em que o craque já se encontrava em difícil situação financeira.

Em março de 1968, Garrincha tinha o passe preso ao Corinthians (SP), mas estava sem jogar. Fazia excursões pelo Brasil e pela América do Sul, mas tinha mesmo era vontade de jogar o Flamengo – o que de fato aconteceu, meses depois. Já veterano, em baixa e aos 34 anos, não tinha mais o mesmo pique de antes e o dinheiro também não era o mesmo. Foi quando expediu-se um mandado de prisão contra o Mané, que não pagava a pensão alimentícia das oito filhas havia oito meses. A ex-mulher do craque fez a denúncia junto à Justiça.

A situação era grave e Garrincha não tinha os NCR$ 1.800 (hoje cerca de R$ 18 mil) para depositar na conta da ex-esposa. Foi quando entrou em cena o banqueiro José Luís de Magalhães Lins, então diretor do Banco Nacional de Minas Gerais. Ciente da situação do Mané e de suas dificuldades através de notas que saíam na imprensa, ele enviou dois advogados ao cartório da 6ª Vara Cível para que depositassem NCR$ 2.600 (R$ 26 mil em valores atuais), deixando ainda um saldo que valeria até o meio daquele ano de 1968.

– Garrincha nada me pediu. É um gesto espontâneo em favor de um grande amigo. Mas é também uma forma de resgate de, pelo menos, uma parcela da dívida que todos nós brasileiros temos para com ele, pelas glórias que deu ao nosso futebol e pela alegria que tantas vezes nos proporcionou. É impossível esquecer as glórias que esse craque deu ao nosso futebol – disse José, na época, ao "Jornal dos Sports".

A doação veio em bora hora, sobretudo porque Garrincha temia seguir na penúria. Ele relatou ter sido enganado por empresários e disse ter sido explorado no Botafogo, onde jogou entre 1953 e 1965. O bicampeão mundial jogou ainda por Flamengo, Novo Hamburgo (RS) e Olaria, onde encerrou a carreira, aos 39 anos. Neste meio-tempo, vestiu a camisa de trocentos times, sempre em busca de uma quantia que o pudesse ajudar. Um dos maiores craques do Brasil, Garrincha morreu pobre, em 1983. José Luís, o benfeitor de cinco décadas atrás, é pai do atual gestor do Boavista, João Paulo de Magalhães Lins.

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O Autor

Gabriel Andrezo é narrador, repórter e amante do esporte mais popular do mundo.

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